quinta-feira, 17 de novembro de 2016

FAMÍLIA


No tempo de minha infância,
os poetas eram todos mortos
e os poemas, seus fantasmas,
que só poderiam ser encontrados
em antigos castelos.

Mas, como os livros
têm pernas e desejos,
um dia acabei topando com um,
como uma pedra no meu caminho.

E hoje a poesia me é tão íntima
como um homem e suas memórias.

Às vezes, como quaisquer amantes,
nos desentendemos
e ela me bate na cara,
abandona-me durante várias
noites e dias,
entre a insônia e a febre do álcool,
mas eu não ligo.

Às vezes, como costumam fazer
os amantes,
nos enroscamos
e sobre o papel
de meus velhos cadernos
surgem rebentos,
pequenos poemas,
fadados, sei, a não grandes coisas.

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