quarta-feira, 28 de outubro de 2015

QUANDO ME TENS, AMADA


Quando me tens, amada,
como me percebes?

Um símbolo freudiano
ou apenas teu homem
que bebes?


quarta-feira, 21 de outubro de 2015

APOCALIPSE - CANTO I



Quatro cavaleiros habitam meu coração:
                   Guerra
                   Peste
                   Fome
                   Morte.

Não sei se o fim está próximo
ou se o auge da vida se anuncia
             nestas auroras de ferro.

Mas, quando morrer o corpo,
que seja em sala com espelhos.

Quero arder,
gozar o momento da vitória final do guerreiro.

Quando morrer o corpo,
que seja em roupas brancas,
             limpas,
que a alma não sofra
com a sujeira ainda tão próxima.

Quando por fim apodrecer o corpo,
e todo prazer da morte for gozado,
que seja queimado

para que não haja lembranças terríveis.


quarta-feira, 14 de outubro de 2015

APOCALIPSE - CANTO II


A espécie não se perpetuará.
Os cogumelos atômicos
esperam apenas a primavera para desabrocharem.

Os homens morrerão
em super-hiper-overdose radioativa.

Pior,
a humanidade perecerá por sob a mão da humanidade.

A humanidade perecerá pelas mãos
das bestas.

Por sobre as nossas cabeças,
que olhos nos espiam impassíveis?

A humanidade não se perpetuará,

como também os vermes.


quarta-feira, 7 de outubro de 2015

APOCALIPSE - CANTO III


Por sobre as nuvens negras,
brilham as estrelas
(que longo tempo durará a noite,
astros infinitos?).

A Terra, rosa radioativa, chora.

 não há lágrimas,
apenas poeira.

De que valem lamentações sobre os escombros do muro?

Já não há esperança,
os cavaleiros marcham sobre todos
com suas armas.

Deus afinal escreveu a última cena de sua peça.
                                       
Comédia?

Quem terá pena de nós?