quarta-feira, 27 de maio de 2015

ENTREGA

A tu, amiga,
daria as minhas mãos
e todas as suas carícias e artes
se a este preço pudesse tocar-te.

A tu, amiga,
entregaria meu coração,
seus anseios e paixões,
para te poder amar.

Dar-te-ia minha vigilância,
meus sonhos,
minha vida e minha morte,
minha infinitude e minha paz,

se me deixásseis,
corpo, alma, essência,
       viver em ti,

escravo, eternamente escravo.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

VIDA ETERNA


De que me serve
a potente luz
que brilha como sóis,
do lado de lá da vida,
aqui neste escuro?

Dá-me uma fagulha e serei feliz
agora.



Musicada por Climério Filho
Gravada em 2002

CD "Maracatu pra ela"

quarta-feira, 13 de maio de 2015

DOS CAÇADORES

Reizinho fascista, assassino de animais

Caçar palavras
para um poema
não é o mesmo
que caçar bichos
para um jantar exótico,
para troféu na parede
ou por vadiagem, afirmo.
Pelo menos para mim,
que adoro a primeira caça
e detesto a segunda,
por ser sacanagem.


domingo, 3 de maio de 2015

INSTANTÂNEO DA NOITE



Da sala me chega aos ouvidos 
um som de música.

O corpo de minha amiga repousa
n(u)o tapete.

Antes que mudem as cores
e o tempo,

entrego-me à luxúria,
entre o prazer e o medo do pecado.


quinta-feira, 30 de abril de 2015

O POEMA ENGAJADO OU INTERROMPENDO O CAFÉ



Pela manhã,
entre fatias de pão torradas
geleia de morangos,
penso num poema contra a fome.

Pela manhã,
entre um copo de leite
e queijos,
sinto-me hipócrita
e, de repente, perco meu apetite,
pequeno burguês.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

MEDIDA


O poema deve ter a medida certa,
deve servir ao seu tempo,
             estar vivo
             e ser real.

O poema, pelo menos nos dias de hoje,
não deve sonhar,
mas lutar,
que suas palavras,
quando lidas em voz alta
             pelos oprimidos,
penetrem nas cabeças
dos ouvintes
e lá se alojem como balas.

Mas o poema não deve matar,
e sim impedir a morte,
e sim impedir a injustiça.

poemanos dias de hoje,
deve ter a medida certa,
             exata,
             como o metro.


quinta-feira, 16 de abril de 2015

O SEGUNDO SENTIDO


A tua simples visão extasia-me
como o vinho
bebido em grandes goles
             à noite,
no colo de jovens mulheres
que sabem amar.

É preciso que haja lua
e o som de instrumentos
             e vozes me animem.

Os amigos devem estar presentes.
Não devemos pensar na alma,
não se falará dos homens
             que sofrem.

Apenas o corpo
e sua transitoriedade,
o corpo e seus prazeres,
apenas o gozo.

Só assim posso comparar
a emoção de meu ser
que através dos meus olhos
             te avista
ao longe,
confundindo-te com o leviano vento
que te toca
com suas mãos de pluma.
Oh maldito!