terça-feira, 16 de junho de 2015

POÉTICA V

CHE GUEVARA

"É preciso ser duro, mas sem perder a ternura, jamais..." (Che Guevara)


Quero a poesia que denuncie as injustiças,
mas que não deixe de cantar o amor.

Quero a poesia que grite
com a força das veias estouradas,
embora o poeta pare e ouça
o canto azul dos pássaros.

Quero a poesia como um balaço no cão que sofre
de uma dor de merda, inútil.

Quero a poesia como a mão que afaga,
que ampara o rosto que chora,
que trabalha a massa
e divide o pão.

Quero a poesia que subverta as cabeças,
que pregue a luta,
mas que esta luta
não se faça com as armas do poder
e da ordem.

Quero a poesia
pura como coração de menino,
graciosa como guerrilheira,
viril como pétala, cristal.

Por isso tudo a cabeça do poeta
é uma bomba-relógio.

Por isso o corpo do poeta é magro.

Por isso é que o poeta sonha com a justiça
embora não tenha fé.

O poeta, gente, é um ser desesperado.


terça-feira, 9 de junho de 2015

A HISTÓRIA DE MINHA VIDA É BANHADA PELO MAR


A história de minha vida é banhada pelo mar,
de onde surgiram meus primeiros amores,
como sereias,
encantando-me com os seus mistérios.

Nesses tempos,
a dor só me vinha do mar,
propositalmente,
como busca os peixes no mar
o pescador com suas redes.



Musicada por Climério Filho
Gravada em 2002
CD "Maracatu pra ela"

terça-feira, 2 de junho de 2015

DO TEMPO


Do tempo passaríamos
             sem lembranças,
qual não fossem os espelhos,
             os relógios.

São simples brinquedos
             avisando
até a exaustão,
             o fim.


Musicada por Climério Filho
Gravada em 2002

CD "Maracatu pra ela"

quarta-feira, 27 de maio de 2015

ENTREGA

A tu, amiga,
daria as minhas mãos
e todas as suas carícias e artes
se a este preço pudesse tocar-te.

A tu, amiga,
entregaria meu coração,
seus anseios e paixões,
para te poder amar.

Dar-te-ia minha vigilância,
meus sonhos,
minha vida e minha morte,
minha infinitude e minha paz,

se me deixásseis,
corpo, alma, essência,
       viver em ti,

escravo, eternamente escravo.


quarta-feira, 20 de maio de 2015

VIDA ETERNA


De que me serve
a potente luz
que brilha como sóis,
do lado de lá da vida,
aqui neste escuro?

Dá-me uma fagulha e serei feliz
agora.



Musicada por Climério Filho
Gravada em 2002

CD "Maracatu pra ela"

quarta-feira, 13 de maio de 2015

DOS CAÇADORES

Reizinho fascista, assassino de animais

Caçar palavras
para um poema
não é o mesmo
que caçar bichos
para um jantar exótico,
para troféu na parede
ou por vadiagem, afirmo.
Pelo menos para mim,
que adoro a primeira caça
e detesto a segunda,
por ser sacanagem.


domingo, 3 de maio de 2015

INSTANTÂNEO DA NOITE



Da sala me chega aos ouvidos 
um som de música.

O corpo de minha amiga repousa
n(u)o tapete.

Antes que mudem as cores
e o tempo,

entrego-me à luxúria,
entre o prazer e o medo do pecado.